PABX: (81) 3797.2517 – FAX: (xx81) 3797.2514

EXPEDIENTE:

Seg. a Qui.: 08h às 17h
Sex: 08h às 14h

Conselho e ativistas discutem situação dos gatos da Av. Beira Rio

Conselho de Medicina Veterinária e ativistas discutem problemática dos gatos da Avenida Beira Rio

A sede do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Pernambuco (CRMV-PE) recebeu na tarde da última terça-feira (11) uma reunião para debater os possíveis caminhos de combate ao abandono de gatos na Avenida Beira Rio. A ideia do encontro era pensar coletivamente em soluções efetivas para diminuir a população de felinos na avenida, coibindo também novos casos, tudo isso sempre levando em consideração o bem estar animal e humano.

O presidente do Conselho, Marcelo Teixeira, foi o responsável pela condução do debate. Ainda representando o CRMV-PE, os médicos veterinários Roseana Diniz, presidente da Comissão de Ética e Bem-Estar Animal, e Amaro Fábio, presidente da Comissão de Saúde Pública. O encontro contou com a presença da vereadora Goretti Queiroz e de várias entidades da proteção animal, como Vozes de Luto Nordeste, PetsPE, Apape (Associação dos Protetores de Animais de Pernambuco), Movimento Adota, Vai e Proeso, além de ativistas individuais, como Douglas Brito.

Presidente Marcelo Teixeira dando entrevista para a Rede Globo, que acompanhou a reunião

A reunião se fez necessária porque comumente são identificados casos de maus-tratos aos animais que habitam a avenida. Fato que se agrava de tempos em tempos. Os atos costumam ser praticados por pessoas que por vezes desconhecem as condições de saúde dos animais soltos ali. Acontece que muitos acreditam que os gatos da Beira Rio não recebem nenhuma assistência, mas há equipes, coordenadas, inclusive, pela médica veterinária Roseana Diniz, que também atua como professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que trabalham em prol da saúde e bem-estar, dentro do possível, dos felinos.

Porém, saber que os gatos recebem assistência gera outro agravo da situação: o abandono, muitas vezes em massa, dos animais na Praça dos Gatos, como ficou popularmente conhecida a área. O que torna a problemática cada vez mais complexa, porque medidas como assistência médica e feiras de adoção se tornam paliativas e, de certa forma, incentivam mais abandonos. “É esse ciclo que precisa ser quebrado. Temos que ter ações em prol dos gatos que já vivem na Beira Rio, mas também temos que evitar novos abandonos”, afirma Roseana Diniz.

Apesar de contar com duas câmeras de segurança instaladas com recursos próprios pela vereadora Goretti Queiroz, o monitoramento da área ainda é insuficiente. Por isso, entre as possíveis soluções para resolver a problemática atual e evitar reincidência, o grupo considerou que seriam eficazes medidas como o aumento do número de câmeras de segurança e da fiscalização presencial na praça e no entorno; a promoção de mutirões de castração responsável, feiras de adoção frequentes, campanhas de conscientização da sociedade, o que inclui crianças visto que há a proposta de um projeto exclusivo para levar educação ambiental para as escolas públicas, iniciando pelas da rede municipal de ensino, além de mais rigor com a aplicação das penalidades previstas na lei que trata dos maus-tratos animais.

Conselho de Medicina Veterinária e ativistas discutem problemática dos gatos da Avenida Beira Rio

A denúncia de maus-tratos é legitimada pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais) e o Art. 164 do Código Penal prevê o crime de abandono de animais para aqueles que introduzirem ou deixarem animais em propriedade alheia, sem consentimento, desde que o fato resulte prejuízo. A pena prevista pelo Art. 32 da Lei de Crime Ambientais é de detenção de 3 meses a 1 ano e multa. A pena prevista pelo Art. 164 do Código Penal é de detenção, de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses, ou multa.

As soluções encontradas serão reunidas em um único documento que será utilizado na tarefa de conseguir apoio de outras entidades, empresas e profissionais, além de pressionar o poder público que deve ser o principal responsável pelo suporte necessário para a aplicação das soluções. “A ideia é trabalhar coletivamente, prefeitura, entidades, profissionais, protetores, sociedade… não podemos fazer ações isoladas, que só resolvem questões pontuais do problema. A ideia é darmos as mãos e, juntos, com ações coletivas, solucionar a problemática dos gatos da Beira Rio”, diz Marcelo Teixeira, presidente do CRMV-PE.

 

 

Zoonoses

Um ponto, inclusive, que incomoda bastante os ativistas da causa animal é o fato dos gatos, que também são vítimas da situação, serem vistos por vezes como os vilões da história por causa das doenças que comumente afetam os felinos. Isso porque ainda faltam informações para a sociedade sobre as zoonoses que atingem os gatos e podem também afetar os seres humanos, a exemplo da esporotricose e toxoplasmose, intituladas pejorativamente como Doenças do Gato.

A esporotricose, por exemplo, é uma doença fúngica causada pela implantação traumática de fungos do complexo Sporothrix que se encontram no solo. A doença é caracterizada por lesões na pele e no tecido subcutâneo, podendo acometer raramente músculos, articulações, ossos e vísceras. Os gatos se tornam vítimas da infecção quando entram em contato com o solo contaminado, o que também pode acontecer com pessoas que realizam atividades ligadas à jardinagem e agricultura.

O tratamento já é possível. Mas necessita de medicação, acompanhamento e profilaxia dos locais possivelmente contaminados.

“O que muitos não sabem é que quando matam um gato por falta de informação, com medo que ele transmita doenças para humanos e abandonam os corpos no solo e nas margens de rios estão gerando um problema maior para a saúde única. No caso do animal em questão estar realmente contaminado, seria muito mais seguro e correto que ele recebesse o tratamento adequado, respeitando as regras de saúde e bem-estar, do que contaminando solos e afluxos de água”, explica Amaro Fábio, da Comissão de Saúde Pública do CRMV-PE.